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BRASIL, Sudeste, TERESOPOLIS, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, e olhe lá!!!
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EU E OS MEUS
FÉRIAS PARAIBANAS E FAMILIARES

***** Família - Abri as férias fazendo uma palestra pAra famílias na Igreja Batista Central de Teresópolis. Fechei as férias fazendo ontem, uma palestra encerrando o “Mês da Família” na Segunda Igreja Batista de Petrópolis. Não, não é carregar pedras. É derramar algodão. Fiquei grato pela oportunidade. Família deve ser nosso tema mais urgente e grave, hoje. - Paraíba – Falei das férias paraibanas, Jampa (João Pessoa, para os íntimos), artesanato, arte linda em barro de Miguel dos Anjos e das irmãs Cavalcanti (Nenê e Tê), inscrições rupestres e misteriosas na Pedra do Ingá, pôr do sol saxofonado na Praia do Jacaré, Areia (!), Pedra furada, etc. Daí, olha só, volto eu ao Rio, procuro uma peça de teatro (em conta e com algum encanto), e vou parar aonde? Na Paraíba, óxente! “Quebraquilos”, com um grupo de João Pessoa, no Centro Cultural da Caixa. Peça ótima, sobre tema fantástico (a revolta popular contra os pesos e medidas que atualmente usamos, quando os impôs o governo imperial), denunciando agruras que ainda hoje permanecem. Paraíba foi uma descoberta boa.
- Família 2 – Mariana!!! E Lucas!!! Saudades. Não há férias que cheguem.
- DVD a recomendar - A minisérie francesa com Depardieu (Valjean) e Malkovitch (Javert), "Os Miseráveis". Embora as melhores versões que conheço em filme sejam as que trazem como o sofrido Jean Valjean, Lino Ventura (1982, de Robert Hossein) e Fredric March (1935, com Charles Laughton como Javert), o formato minisérie permite maior detalhamento sobre as tramas da história, o que compensa a fraca direção. Vale a pena.
- Fim de sopa – 2ª feira, volta ao batente.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h25
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PROGRAMAÇÃO DE FÉRIAS, AINDA!

Passeios - Convento de Sto Antonio no Largo da Carioca – Igreja da Ordem Terceira de S Fco - Ali, no meu queridíssimo Largo da Carioca, aquele monumento ao esplendor do barroco brasileiro, que de tanto passar na frente, eu tinha negligenciado: simplesmente única a Igreja toda forrada em ouro.
- Almoço e sorvete com Mariana – O programa favorito do meu coração. E Mariana sozinha é um passeio, em qualquer lugar do mundo.
- Passeio nos camelôs do Largo da Carioca – Nada como fuçar bugigangas e comprar coisinhas de dois "real"
Cinema - ANJOS E DEMÔNIOS – Mais da mesma sopa rala de Código da Vinci, com uns pedregulhos de ração canina fazendo as vezes de carne, para os incautos. COTAÇÃO - Quase dormi, mas fiquei até o fim. Já é algo.
- STAR TREK – Nunca gostei muito do seriado da TV, nem da série de cinema, não sou trekker, mas o filme é muuuito bom. Grandes efeitos, divertido, Spocks surpresas. COTAÇÃO - Fiquei na ponta da cadeira.
- SIMONAL – NINGUÉM SABE O DURO QUE EU DEI – Cresci ouvindo falar da deduragem de Simonal, que teria entregue colegas de profissão à ditadura militar, nos anos 60. Eu tinha 11 anos na época, acompanhei pela TV o último FIC (Festival Internacional da Canção), transmitido diretamente do Maracanãzinho. Embarquei na onda. Simonal = Iscariotes. Depois, militando na esquerda, e aprendendo como funcionam certos julgamentos sumários, precipitações, decisões com pouco cérebro e muito fígado, fiquei com os dois pé atrás em relação a certas “verdades” consagradas, ou demonstrações “politicamente corretas” e “regras” ridículas de bom-mocismo esquerdista. Exemplos: só tomar Guaraná e não Coca-Cola; achar geniais certos filmes ruins como “O dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, feito em momento medíocre pelo gênio de Terra em Transe, Glauber Rocha; achar pueris e menores os filmes da Atlântida e Mazzaropi; e “ter” que desgostar de Simonal, porque certa esquerda assim queria. Pois - depois de já muito confortavelmente ter determinado em meu coração que Grande Otelo e Oscarito eram gênios da raça, que Tristeza do Jeca, do velho Mazza, devia ser obrigatório nas escolas brasileiras - há uns anos atrás me peguei cantando “Moro num Pa-tro-pi” e depois resgatei um teipe de uma das fabulosas performances do astro marrento, Simona em pessoa, regendo “Meu limão, meu limoeiro” para uma platéia da TV Record dos bons tempos. É mágico. Ouçam o que digo: -Mágico! Pois o documentário a que assisti “Ninguém sabe o duro que dei” resgata essa magia e repõe as coisas nos devidos lugares. Por conta de uma canalhice (sim, canalhice) arrogante que cometeu e que nada teve a ver com deduragem, ou comprometimento com a ditadura, Simonal foi tornado invisível, morto em vida, ridicularizado, execrado, afastado e esquecido. Pagou mais do que era a sua dívida moral. Pelé passou anos se recusando a reconhecer filhos que espalhou por aí, o Edmundo (ex-Vasco) matou gente atropelada, FHC esconde uma paternidade fora do casamento, JK tinha suas amantes, enfim, todo mundo tem lá seus podres e está por aí, sendo reconhecido pelo que há de bom em sua biografia, mas Simonal não. Foi pro lixo. Por isso, parabéns aos Cláudio Manoel (do Casseta e Planeta) e seus companheiros de direção do longa. Há coragem e isenção ali. E uma coisa rara neste país. A reparação de uma injustiça. Simonal era um gênio. Vejam o documentário. Uma lição de vida. A dor de Simonal, inclusive, alerta para que sigamos um precioso conselho bíblico em nosso dia a dia: “Aquele que está de pé cuide para que não caia”. Simonal estava nas alturas. Seu pecado maior foi a falta de humildade, como pouco modestos se mostraram também os faraós que ergueram monumentos absurdos e esplêndidos. Mas as pirâmides estão aí. Que a obra de Simonal mereça seu lugar em nossos corações. Sem ela, não se compreende o que é o Brasil. Sem ela, somos mais pobres. COTAÇÃO – Ri e chorei, o que mais se pode pedir de um bom filme?
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 18h06
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REFLEXÃO NUM FIM DE EXPEDIENE RUIDOSO

Todo rio tem pedras. Toda pedra, sua escarpa. E quando escarpa, inevitável topada. Sempre tem dores, a topada . E toda dor lança, afiado, seu grito. Todo grito é certo que range. Deveras, todo rangido incomoda. E... que nem aquele querido LP arranhado, incômodo aperta. Mas todo aperto da alma é um torniquete... sufoca. Sufoca tanto, que todo sufoco uma hora, sangra, açude que transborda. Mas quando transborda, da cheia, surge um rio. Assim, a vida. Por isso, te acalma. A vida: uns rios tortos, umas pedras bicudas, uns peixes espada que mordem, um redemoinho que nos leva um pedaço aqui, um abismo que nos traça um naco de alma ali... A vida, fazer o quê? Ah, mas olha só essas lavadeiras tão lindas, lavando seus brancos nas beiras, Olha essas crianças que mergulham como esperanças em setas, Percebe essas plantas de seda que beijam a água, ali uns pássaros, aqui uns plânctons, o sol que gordo como um sultão, viceja... na água, luz líquida... esse rio. Ora, se é luz, não reclame das beiradas dos montes que apenas, como a beirada de cobre da lanterna não atrapalham sua luz... Só ajustam o foco da aurora. É assim que ficamos menos cegos. Assim nos tornamos mais rios. Ricos. Rios. Rio. Outra travessia foi feita! Comemora!!!
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 18h35
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LUCAS NA PRAIA

Para Mariana Como um miúdo gato, desengonçado e dourado, o garoto salta as barbatanas da onda. Rendida, cansada, splash e redonda, a marola desmaia sua espuma em seus pés. Destemido, o moleque toma coragem, aspira a maresia e grita com ecos, batendo no peito, Tarzã dos pequenos, ele corre, destemido é que corre, corre, sobre a onda que então recua, como uma dama em mesura, revelando suas súbitas anáguas de areia e seus vidrilhos de restos de conchas. A onda, como que foge, foge desse ímpeto do príncipe valente guardião dos castelos de grãos. Acanhada, a onda escapa. Mas logo ao longe, divisa-se a onda grande que vem, de antes da arrebentação, renovada, gorda como uma mulher prenha, acelerada, com a crista envergando seus chicotes, e que num instante se parece um dragão. Quando ela explode, Lucas se vira e corre pra areia, em zigue-zague, fugindo da explosão: -Você não me pega, Netuno, me pega não. E, logo, driblada a onda, ele gira e avança novamente e pisa a marola com uma gargalhada, fazendo a água descansar em borbulhas breves seu sal nos seus pés. Que dragão que nada, bichinho lambendo seu pé... Um embate assim, meio luta, um pouco valsa, entre um menino e seu mar, entre a constância infantil e a eternidade, é entrevero que nunca se acaba. Entra pela tarde adentro, até o sol se cansar. Entra pela vida adentro fazendo uma raiz que puxa a melhor seiva na memória. O garoto não sabe, mas na verdade, sua alma se abastece em cantis. Cantis que serão necessários, a mãe sabe, quando ali, sentada na areia, observa. Serão necessários, a vida tem desertos, afinal. Mas a mãe agora observa somente. Lucas ali, vitorioso, erguido em incensos e lumes, nos olhos da mãe... Aquela mãezinha, sentada na areia, que tanto capitaneou as marés, com suas boiazinhas de braço, suas enroscadas chiquinhas, agora ali, mãe, ainda menina quase, mas mãe... ali, olhando o milagre, reconhecendo aquela água que já, inteira, foi sua, com seus suspiros transatlânticos, com seus segredos de náufragos, com suas lágrimas de amantes, com o sangue de pescadores, com canções de Caymi, e que agora beija os amanhãs de seu filho. Aquela mãezinha observa, no vai-vem de oceano e criança, o ciclo da vida. A corrente, que passa, miraculosa, colar de contas de Deus, pérolas que cantam, planetas viventes, róseas pedras videntes, pássaros com hélices nas asas, peixes de prata, tudo é do seu filho agora, porque ela teve a coragem de vencer o medo e tê-lo, pra poder dar a ele essas memórias. A ele, o filho. Sim, porque essa mãe, ela poderia não tê-lo. Não parir, hoje, cada vez mais, é uma triste opção. Mas aí a corrente estaria rompida, e haveria pra sempre uma brecha em seu peito, um rasgo, uma escara, uma faca dessas que jamais cala seu fio aguçado. Mas ali está, essa mulher completa, olhando o jardim de alegrias do filho. E a mãe pensa, quem poderia viver, respirar, sem ter conhecido Lucas, seu filho? É assim que Deus pensa. Seu filho, senhor do universo, que abre os braços e controla os mares do Atlântico... Este é Lucas na praia. Um espetáculo. !!!
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 17h44
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TOQUEM O SHOFAR*

Para uma amiga, numa hora difícil
Sabendo da tua história, das preocupações,
com interrogações e medos, elevo meus olhos para os montes.
O Dedo de Deus me aponta uma estrela. Ali está escrito:
os que esperam no Senhor renovarão as suas forças.
Posso ver, por baixo da lágrima de susto, de beira do abismo.
Posso ver. Ele é o Pastor do rebanho: nada, nada faltará.
Nem relva fresca, nem água tranqüila.
Nem mesmo para a mais mínima ovelha,
para a centésima ovelha, ou para a ovelhinha perdida.
Nada faltará. Está escrito. Há milênios.
Afinal, do Senhor é a Terra, e tudo o que nela existe.
E a plenitude que está em volta, vias lácteas, universos.
Nem um passarinho cai do céu sem que o Senhor autorize.
E o Senhor conhece a criança no ventre da mãe.
A criança que é sonho. Deus gosta de sonhos. Deus ama crianças.
A caligrafia de Deus é que escreveu o seu DNA.
Daí Ele vê, no que ainda é grão de gente ou gota de alma
a linda pessoa de quem ciência teremos só quando for amanhã.
E se nem Salomão vestiu majestade como os lírios do campo,
quanto cuidado Deus não terá por essa jóia da sua obra?
Por isso, nessa hora difícil, só posso beijar tua testa e dizer:
entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle. Ele fará.
Ele é contigo. Ele fará. Por isso, fogo nunca vai te queimar.
Por isso, ventania não vai te derrubar. Ele é contigo.
Tempestade? Não pode te afogar. Ele é contigo.
Ele está no barco, Pedro. Ele está na fornalha, Daniel.
Ele é contigo. Afinal, você construiu uma casa na rocha.
Ele é contigo. Você lançou tuas sementes. A colheita é Dele.
Que o rosto de Deus resplandeça como um sol, sobre ti.
E que te dê os arcos-íris da paz. Que a fé te conduza..
Coluna de fogo, nuvem branca... Ele é contigo.
Mesmo nos desertos da tribulação, nós sabemos. Você sabe.
Porque os desertos de Deus são começos, preparos,
são vésperas de vitórias grandiosas, de muralhas derrubadas,
de mares vencidos, conquistas, glórias, manjedouras.
Prepara teus alforjes. É mais uma batalha.
Você passou por outras. Você viu Deus agir.
Veste tua roupa de combate! Toquem o shoffar!
Venham os levitas! Conclamem as tribos!
A guerreira de Deus vai lutar!
*.*
*Shofar : Instrumento sagrado dos hebreus antigos. Usado para louvor e convocação.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 21h18
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SOLIDÃO

O engraçado da solidão é que ela acaba virando uma presença que se pega.
Como em mosteiros com monges em suas celas, calados, como em becos com ébrios solitários, como em casebres obscuros onde revolucionários sonham, como tendas, onde incompreendidos missionários famintos, entre tribos, oram.
Monges vêem o Espírito Santo, aquele ébrio embala Cristina, revolucionários recebem a justiça, e missionários assistem milagres.
É que encarna-se, a solidão. Torna-se concreta, ser palpável, talvez o único confiável. Um ser todo metamorfoses, que tem filtros, conselhos, boas lentes. Realça valores, obscurece bagatelas. A gente aprende os corretos sentimentos. Por isso, Deus fala em voz de solidão. Assim a poetas. Assim a profetas.
Aprendi a não chorar solidão. Quando a sua faca vem ao peito e o aperta, aprendi a apreciar sua prata e descobrir a lua que, com uma nesga de vermelho, mergulha nela.
Pra quem tem certas missões na vida, é bom acostumar-se a essa companheira, a solidão. Afinal, certas auroras cobram preços de noite profunda. Há que haver quem acenda os lampiões. Por isso, não queira ser compreendido. Assobie enquanto labora. Nine o sono dos meninos, nas casas. Não te conhecerão: que importa? Tu velas por eles.
Solidão pode ser uma caverna com um catre de lama. Um monstro. Mas pode ser um caminhar sob estrelas. Uma ave. A gente escolhe. Afinal, viver é um jeito de olhar.
Eu escolho os paraísos que na solidão se escondem.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 20h01
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REFLEXÕES SOBRE O PERDÃO

Sobre cobrança de virtudes
Perdão é algo que não se arranca com exortação,
tirada indireta ou certo desdém no discurso.
Perdão se pede. Com jeito e maneiras.
Assim como se pede pra namorar alguém.
Assim como se pede um beijo.
Porque, o que assim pede, revela carência sincera,
daquele pedaço que falta, daquilo que completa seu coração.
Como o amor, perdão é criação cuja existência demanda encontros,
enlaces, dois corações que na mesma face de prata da lua se aplacam.
Aquele que um dia feriu, planta no outro a faca dentada da mágoa.
Faz um estrago. Algo que sangra, que quebra, que rasga...
Não pode queixar-se de que ali permaneça a cicatriz,
aquela dor, uma escara.
Aquela coisa que ao agressor incomoda, pois revela
sua capacidade mais negativa de criação:
a harmonia rachada, a triste desconstrução.
Claro que, ao ferido,
é dado optar por lavrar naquela dor semeada um interno perdão,
fazer da cicatriz um enfeite do caráter, um aprendizado, um calo
que dá personalidade, como uma marca de bala,
uma tatuagem de prisão.
Mas isso não ocorre em vida vivente, concreta, vida externa...
fica, ali, um perdão latente, uma vacina interna gerada
com a dor da indignação, pra curar a dor da mágoa...
um perdão existente mas escondido, como um diamante, um petróleo,
uma água guardada no fundo do solo.
Coisas aguardando adequada mineração.
Observe.
Diamantes não ficam por aí, pulando em nossas algibeiras, do chão.
Porque valem muito, a terra os recolhe, os guarda em silêncios,
e só os entrega ao cuidadoso que os busca na terra, aquele que,
ciente do valor do achado, vai lhe dar adequado buril e ourivesaria gentil.
Assim também, o perdão.
Como um ovo que precisa ser fecundado, o perdão existe ali,
latente, demandando ao que feriu que reconheça
sua obra de destruição (repentina, culposa, impensada, que importa?)
e que opere o pleito simples, efetue
o pedido singelo, uma palavra curta, sílaba pouca,
uma chave, quase uma brisa, que transforma em coisa viva, em coisa ave,
encarnada coisa, o perdão.
Logo, só se pode acusar em alguém a dureza do ausente perdão
se este, ao ter sido solicitado,
nos padrões razoáveis, nos cuidados de garimpar pó de ouro,
nas gentilezas de catar ouro no milho e feijão,
se quando assim pedido, foi efetivamente recusado.
Aí sim, teremos um caso de alguém doente dessa doença grave,
moléstia do perdão encravado.
Mas antes disso, antes do pedido, da lavra, da seara,
da ação que fecunda o latente perdão, é agressão renovada
qualquer diagnóstico precipitado, porque vira faca nova
cujo fio é uma injusta acusação.
E nova injustiça, certamente, não ajudará a sanar
a ferida primeira, o rasgo que
motivou toda essa reflexão...
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 21h46
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PARA O JOVEM “X”, QUE LUTA NUMA CLÍNICA DE RECUPERAÇÃO

É como se você precisasse nascer de novo. Aí é um útero. O "X" precisa se parir, voltar a uma infância onde será o pai de seus próprios cuidados. Antes, pequeno, engatinhando, adultos outros o vigiaram, cuidaram, alimentaram, evitaram quedas ou ajudaram a reerguer das dores. Havia colos. Hoje, você aprende, certamente que é você, seu próprio pai, a zelar por você mesmo. Mas por isso, você mesmo é muito pouco. Porque somos sempre pouco pra desafios desse tamanho. Montanhas assim são difíceis de subir. Impossíveis, às vezes. Por isso, Deus. Indispensavelmente, e sempre, Deus. O Poder Superior, Supremo, Justo e Bondoso.
Com a ajuda dEle, cabe a você aprender os passos, tatear as lições, treinar confrontos e cautelas. Nunca mais brincar consigo mesmo, nem com os outros. Evitar as trilhas já andadas, aquelas que, se viu, dão em quedas, areias movediças, lodo. É como descobrir um outro mundo. Aquele, antigo, era de mentira e enganos, por isso, morreu. O "X" que sair daí, necessariamente é outro. E atento. Porque o "X" antigo estará sempre à espreita. São traiçoeiros nossos "eus", antigos, até porque são "eu" também, nos enganam, nos confundem, sorrindo engodos lá do espelho.
Eu sei que é um susto, uma dor, um medo. Como acordar de um atropelamento, entre ferros, na estrada. Mas dores purificam. Metal no fogo, vira aço. Medos, nos ensinam a coragem da humildade. Sustos, nos acordam para o que realmente, na vida, importa.
Você agora já sabe que este é um cuidado pra vida inteira, uma batalha sem descanso.
Mas guerreiros são assim, lutam mesmo: sempre! Por isso é que eles vencem. Os que cochilam nos cuidados, são apunhalados, tocaiados, morrem de véspera. Bom guerreiro só repousa depois de repor em ordem suas muralhas, depois de estudar os planos de guerra, conferir suas tropas, polir a armadura e lutar o diário bom combate.
A fé é tua lanterna. Não fé em você, porque guerreiros fracos somos. Fé no Deus que comanda tudo em harmonia. Mas essas luzes divinas, repito, só se acendem na humildade.
Por isso, aí, onde você está, é como o povo de Israel vagando no deserto, aprendendo cuidados, exercitando o corpo pras batalhas, treinando a mente na solidão, exercitando a alma na oração... daí, a Terra Prometida, as vitórias, a promessa cumprida. Guerreiros ninja aprendem em mosteiros. No silêncio. Depois o mesmo silêncio, bem ouvido e entendido, vai com eles sempre, conselheiro sábio.
Aconselhei que tua amada te deixasse. Sim, o fiz. E faria de novo. Ela não sabe o tamanho da batalha que te aguarda. Mas ela insistiu. Ficou do teu lado. Eu preferia que você sequer tivesse esse consolo. O desafio seria maior, mais duro? Sim. Por isso mesmo, mais correto. Leia a história de Jó. Só quando perdeu tudo, tudo, tudo, só aí se completou a prova e o resgate veio. Fundo de poço é fundo de poço mesmo. Aquele lugar onde não há mais pra onde descer. Hora de solidão. Mas ela quis ficar ali. Há méritos nisso, claro. Claro que, por ela, você deve lutar. Mas acima de tudo, por você mesmo. Porque tua felicidade não está nela. Porque se você não estiver inteiro, não estará com ela. A felicidade é uma construção interior, que depende de você, de teu coração aberto a Deus. Por isso lute, mais do que por ela, lute por você mesmo. Ela não merece o "X" antigo, é claro. Mas, acima de tudo, você, "X", você mesmo não merece o "X" antigo. Agora que sentiu o quase afogamento, agora que sentiu o peso da vergonha, agora que sentiu como é difícil o corpo se domar, agora que sentiu a cabeça rachando a parede, agora que percebeu o quanto dói o descaminho e o quanto fere a ilusão... agora, você está pronto. Pronto pra aprender a voar. Pela sua amada? Sim. Mas acima de tudo por você mesmo. Aprender a voar. Aprender a flutuar. Aprender a vencer.
Você a essa altura deve saber que conheço lutas assim, como a tua. E sei que são difíceis. E sei que são estafantes. Mas a vitória é possível. Com Deus, a vitória é possível. Eu vi, amigo. Precisou de muita humildade e joelhos no chão e confiança em Deus. Mas eu vi a vitória acontecer. Vejo a cada dia.
Por isso, cultiva aí tuas flores. Prepara aí teus jardins. Daí, saia novo. Como Davi contra gigantes. Mas, é um gigante de cada vez. Só um. Só um. É possível. Você vai conseguir.
Vai sair desta maior. No momento certo, terá histórias a contar. Pessoas a ajudar. Evitar que outros descaminhem sem sentido. A vitória te aguarda. Que Deus te sustente o coração, o braço e a lança, pra ferir de morte a angústia, o passado e os temores. A vitória te aguarda.
A vitória te aguarda.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h31
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LUCAS CLICADO POR MARIANA

A natureza na cabeça,
o menino,
como um cacho de milagre recente,
pendurado na planta...
A rampa que desce.
O menino que, destemido,
subiu a escada íngreme,
olha o sol vazando as folhas
e enche o cantil dos olhos.
Só então desce,
com aquela luz captada,
pra repartir com a gente
pobre obscura e adulta,
já esquecida de tais milagres.
Esta é a missão dos apóstolos.
Esta é a missão da infância.
Que ela nunca nos falte.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h43
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LIVRO CHEGANDO 2

TÍTULOS DOS CAPÍTULOS DO LIVRO "Assim caminha a insensatez"
- APERTANDO A POLÊMICA, MAS SEM ACENDER AGORA. Uma introdução.
- ENTRE O BANDIDO SÓBRIO E O MACONHEIRO BANDIDO, O MACONHEIRO INOCENTE É MARISCO. Nova postura legal no trato com a questão do consumo de drogas.
- BRASIL 2008 - MARIA JOANA EM DESFILE E LIMINARES EM MARCHA.
- TODA MARCHA É GRITO, TODO GRITO PROPAGA, TODA PROPAGANDA INCITA.
- CHEGOU A HORA DA "MACONHABRÁS"? A Marcha da Maconha no contexto brasileiro.
- SANTA CANNABIS: MAIS FORTES SÃO OS MILAGRES DO CRISTO MACONHEIRO!
- PAPO DOIDÃO: MACONHA "FREE" QUANDO SE BUSCA REDUZIR O CONSUMO DE ÁLCOOL E TABACO.
- MACONHA LIBERADA PARA UNS, GRANA MAIS CURTA PARA TODOS.
- SE É BOM PARA HOLANDA É BOM PARA O BRASIL? A experiência de outros países.
- DO BICHO-GRILO AO BICHO GRILADO. Maconha nos anos 60 e hoje: diferenças,
- MACONHA LIBERADA REDUZ O TRÁFICO DE ENTORPECENTES E A CRIMINALIDADE? É ruim, hem!
- DIREITO DE EXPRESSÃO E MANIFESTAÇÃO: Tem regras nesse jogo!
- BASEADO EM TUDO O QUE FOI DITO, CONCLUSÃO E APELO: NÃO AO BASEADO!
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 11h09
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ESCRITO PARA JOANA

Jô, no fim das contas nós somos sempre é isso mesmo:
Essa coisa que, de tão frágil, é tão forte... essa coisinha que, de tão assustada, é tão destemida... essa pequenez que, de tão desbocada, é tão pura... Esses olhos arregalados que não notam nada, mas vêem tudo.
Devemos sempre viver respeitando essa criança que somos e que se formos maduros de verdade, nunca deixaremos de ser. É o melhor de nós, para sempre.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 12h28
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MACONHA E INSENSATEZ DISCUTIDAS EM LIVRO
Denilson Cardoso de Araújo, Serventuário da Vara da Infância e da Juventude de Teresópolis, está lançando, pelo selo Vermelho Marinho da Editora Usina de Letras, o livro “ASSIM CAMINHA A INSENSATEZ - A maconha, suas marchas, contramarchas e marchas à ré”.
A obra foi escrita a partir de reflexões sobre as polêmicas envolvendo a Marcha da Maconha, que, a pedido do Ministério Público, foi proibida pela Justiça. A Marcha defendia a descriminalização do consumo da maconha e a sua liberação progressiva. Com o impedimento da manifestação, ocorreram protestos da OAB, da ABI e de outras entidades da sociedade civil, contra o que foi considerado um atentado da Justiça contra o direito constitucional à liberdade de expressão.
No texto, o autor defende a posição dos tribunais, principalmente com base na proteção às crianças e adolescentes. Mas, para chegar a esta conclusão, o livro conta a história da maconha, esclarece a polêmica sobre seus efeitos, comenta a nova lei de entorpecentes, faz um balanço das experiências de liberação de drogas em vários países, conta muitos episódios pitorescos e faz um balanço dos vários argumentos, contra e a favor da liberação. Importante capítulo é o que combate a tese de que a liberação de drogas diminui a criminalidade.
“Existe muita leviandade neste assunto e as famílias acabam confundidas, achando que a severidade que tantas vezes empregam na educação de seus filhos está errada. Não está. Drogas matam, e a maconha é o começo mais comum da descida ao inferno”, afirma Denilson.
O livro, conforme o autor, pode ser útil para os profissionais da área do direito, mas principalmente para as famílias, professores e profissionais que lidam com infância e juventude, em geral. Denilson, que é autodidata, tem textos premiados pela Academia Teresopolitana de Letras, pela Fundação Escola do Serviço Público e pela Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro. Tem sido preletor em eventos da EMERJ - Escola da Magistratura do Rio de Janeiro, e da ABRAMINJ - Associação Brasileira de Magistrados da Infância e da Juventude. Desde 2007, vem realizando um bem sucedido programa de palestras nas escolas de Teresópolis, para pais, professores e alunos. Mantém também um trabalho de debates com os adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas no CRIAM Teresópolis.
A edição já está chegando às livrarias da cidade, com capa do autor, prefácio da Juíza Drª Inês Joaquina Sant’Ana Santos Coutinho e apresentação da Profª Maria do Rosário Grandini Carneiro, Secretária de Educação do Município.
*.*
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 17h38
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LIVRO CHEGANDO

&

apresentam
o livro de DENILSON CARDOSO DE ARAÚJO:
ASSIM CAMINHA A INSENSATEZ
A maconha, suas marchas, contramarchas e marchas à ré
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 17h37
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PRA UMA MOÇA QUE PRECISA SUBIR A MONTANHA
. .
Sai dessa penumbra do dia a dia, larga esse olhar fincado no chão. Sobe a montanha e enxerga tua vida assim, do alto, aquele fio esperançoso nascendo lá atrás, como um riachinho...
Olha lá embaixo, a estrada percorrida, os acampamentos levantados, os rios que te deram água, te serviram peixes, os campos que te deram pássaros, que te cederam pão...
Examine teus mapas. Tua geografia. Teus abismos e montes.
Examine-se. Então se pergunte, sem medos:
Deixei bons caminhos pra trás? Será que estou mesmo no beco sem saída?
Mas daí você percebe, assim, olhando do alto, que o retorno está desimpedido,
logo, se é possível voltar... saída existe!
Recuar não é feio. Feio é morrer por cegueira de avanço indevido.
Às vezes esquecemos lá atrás um sapato... é preciso buscar, ou porque a estrada é feroz e comprida e terá pedras, ou porque no sapato está escondida uma rosa perdida... nossa rosa de infâncias, nossos cravos de sonhos... sei lá.
Mas se não é possível voltar, será que o beco é sem saída? Será que é beco?
Ou será que você é que está olhando pro lado errado, com os mapas tortos, as lunetas cegas, com a disposição do equívoco, com os olhos sujos, travados
de memórias recentes ruins, ou de memórias passadas mascaradas em monstros que não existem mais... ou nunca existiram...
Tanta gente morre à beira do oásis, só porque cansou do sol árido e parou pra reclamar do deserto... faltavam dez metros... faltava tão pouco... por isso desistências são desnecessários suicídios, tantas vezes.
Examina tua vida... e não se envergonhe dela. Ao menos, ela te trouxe até aqui,
Até essa montanha... montanha é lugar onde se fala com Deus.
Montanha é lugar onde Deus funda povos, templos, reis e profetas...
Montanha é onde Deus inaugura vitórias.
Examina tua vida. Veja se é caso de avançar com firmeza, ou regressar com humildade, levando a coragem conquistada nessa viagem e a fé, para novos começos. Sim, porque se você chegou até aqui, passou tantos bocados passou,
Já sofreu tantas dores... e sobreviveu, coragem não vai te faltar... fé não pode minguar, afinal, Deus te preservou das quedas tantas, naufrágios muitos...
Examina tua vida. Só não fique parada. Esse estancamento da vida
dá limo, teia de aranha, frieira, casa de marimbondo, lágrima de caverna,
cogumelo, ferrugem, barata, mofo e tristeza...
Examina tua vida. Pergunte aí aos ecos, grite às nuvens, a Deus, no alto dessa montanha: Estou onde deveria? Se não, Pai, onde era pra eu estar?
Examina tua vida. Depois desça a montanha firme, orgulhosa, e caminhe...
na direção que o teu coração, agora reanimado, mandar. Mas caminhe. A vida não é uma esteira rolante sem fim,
levando nossos cérebros apagados.
A gente tem que caminhar.
Daí, chega a luz.
*.*.*
Meu carinho maior pra você, com minha oração.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 20h37
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SUSTO

*.*
Susto que soca o coração, que seca a garganta e oprime as bordas do cérebro. Fica aquele susto, rolando pelo corpo, passeando nas veias, como uma formiga com patas de fogo. Uma febre contida, que ferve o tutano dos ossos. Pequenas vertigens nos passeiam os neurônios, com suas árticas asas.
Difícil é o equilíbrio, no labirinto do susto. Pedimos mapas ao tempo, pedimos norte ao horizonte. Nada. O susto é calado e não ouve. Apenas nos olha com suas luas cheias de vento.
Ficamos aprisionados no susto, um tempo. À vezes, muito tempo. Nesse cômodo, o susto, que nos enclausura em seu aço concreto. Nesse cômodo, onde goteja um suor de vampiro. Ali, onde infiltra-se a umidade dos porões lamacentos.
Nossa coluna vertebral treme ao baque do susto, como se uma ilha pequena se derretesse embaixo dos pés. A custo, equilibramos a ânsia e a pergunta.
Mas aos poucos, se os pés ficam no chão, recobramos o afinco do pulmão que se foi. Aos poucos a neblina se corta e enxergamos um fio de sol. Como navios deixando a boca da tempestade, em algum momento, saímos do susto. Recobramos, então, uns alívios, uns suspiros, e aprendemos o valor da esperança. Aquela mesma, que deixávamos meio largada, como um utensílio, um casaco, uma enxada, quarando ao descuido, quando era tempo de sol.
Imprudentes, que somos. Os sustos virão. E os sustos espetam. Como agulhas fundas, espetam. Céleres como relâmpagos, sem aviso. É bom que estejamos preparados. Sustos são aprendizados. Pra nunca desvestirmos nossas capas de esperança.
É que a chuva do susto não dá sequer trovoada. Às vezes, nem céu cinzento. Simplesmente, o susto desaba. Mas a esperança, mesmo encharcada, ainda estende sua asa.
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 16h40
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